sexta-feira, 7 de julho de 2017

COMUNICADO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS


Meus prezados amigos,

Venho primeiramente me justificar pela ausência neste nosso espaço. Por motivos de força maior, não pude me fazer presente.

Após diversos mandatos como Presidente a frente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e Serviços de Varginha - ACIV - venho comunicar meu afastamento da Presidência desta importante entidade, por motivos de ordem pessoal.

Como empresário no segmento de alimentação e dirigente da ACIV, dediquei grande parte da minha vida em prol do desenvolvimento empresarial da nossa cidade. Ao deixar esta renomada entidade, e por respeito a sua história e a todos aqueles que contribuíram para o seu desenvolvimento, me sinto responsável em evidenciar a situação econômica e financeira da entidade.

Ao encerrarmos o exercício de 2016, apuramos um superávit de R$ 101.816,38 e um saldo disponível (caixa, bancos e aplicação financeira) em 31/12/2016 na ordem de R$ 221.607,73. Ainda enquanto Presidente no primeiro trimestre de 2017, conforme dados contábeis, ficou um saldo disponível (caixa, bancos e aplicação financeira) na ordem de R$ 305.784,63 e um superávit neste período de R$ 82.396,21.

Vivemos um momento político e econômico conturbado, juros altos, desemprego, endividamento das famílias, alta carga tributária, resultando tudo isso em baixo consumo e muitas empresas em dificuldades. Administrar uma entidade de classe sem fins lucrativos é um grande desafio a todos que se propõe a esta nobre contribuição, e deixar a ACIV em situação de liquidez favorável (dinheiro em caixa), ratifica meu comprometimento com todos aqueles que acreditaram e acreditam no resultado de um trabalho sério e honesto.

Importante ressaltar as inúmeras ações que foram realizadas, dentre elas: Remodelação de todo prédio da ACIV com moderna estruturação de informatização para área Administrativa; e o Departamento de SPC, sistema de segurança e vigilância predial, diversas campanhas promocionais em datas comemorativas, palestras, cursos, rodadas de negócio, participação em seminários, sempre promovendo o empresariado local, e ainda, visitas de outras entidades de classe na busca por informação e compartilhamento do conhecimento associativista, sempre com apoio e parceria de entidades como: FEDERAMINAS, SENAC, SENAI, SESI, CIEE, FECOMERCIO e CODEMINAS e em todas as conquistas que obtivemos, pelo SEBRAE através de toda sua equipe e diretoria. E que durante este período, junto com o SEBRAE, empresários de Varginha e com as esferas do Poder Municipal, Estadual e Federal conseguimos a porte financeiro para realizarmos as obras de revitalização do centro comercial de nossa cidade. Outra iniciativa de maior importância, foi a implantação do sistema de comunicação TV ACIV, órgão de divulgação digital através das mídias sociais; Atendendo também ao anseio da classe empresarial, foi criado o SINDVAR - Sindicato do Comércio Varejista de
Varginha, tendo na sua representação legal, um enorme ganho aos empresários do setor varejista, entidade que teve o total apoio da ACIV e que se tornou um dos sindicatos de major referência no movimento sindical patronal de Minas Gerais.

Todos que me conhecem também sabem que tenho uma trajetória na vida pública, onde atuei como vereador, presidente da Câmara e Prefeito de Varginha, que é minha cidade natal e que tanto amo. Trajetória essa que me orgulha muito, pois muitos ainda me reconhecem como um administrador empreendedor e que muito realizou em prol de nossa população. Espero continuar contribuindo para o progresso do nosso Município, mesmo no ocupando cargo de gestão.

Meu afastamento, neste momento, é para cuidar de questões pessoais, mas que não me impedirão de continuar minhas caminhadas pelas ruas de nossa cidade e atender a todos que sempre me procuram.

Não posso deixar de apresentar os meus agradecimentos de uma maneira ampla a todos os ASSOCIADOS, entidades educacionais, industriais, sindicais, aos poderes públicos Civil e Militar, a toda imprensa em geral e a todos os colaboradores.

Estou deixando do trabalho burocrático, mas pretendo trabalhar muito por nossa querida Varginha.

Desejo a todos muito sucesso em suas empreitadas e que Deus nos acompanhe em todas os momentos de nossas vidas.

Com apreço e estima,

Aloysio Ribeiro de Almeida
EX-PRESIDENTE DA ACIV


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Por que terei saudades de Obama

Por que terei saudades de Obama

Com a posse de Trump e após muito pensar cheguei a decisão de que sentirei falta de Barack Obama.
O Governo Obama foi totalmente integro, passou, de forma impressionante, sem escândalos. Lembre-se de como o Irã-Contras e Monica Lewinsky engoliram anos de mandato de Ronald Reagan e Bill Clinton. Não tivemos quase nada disso sob Obama. Ele e sua equipe se portaram com correção.
Hillary Clinton constantemente precisava dar entrevistas coletivas para explicar uma manobra estranha que fez, uma decisão que tomou. Não Obama. Ele e a mulher, Michelle, não só mostraram integridade superior como atraíram e contrataram, na maioria das vezes, gente com altos padrões morais.
Há todo tipo de personalidade desagradável na política, incluindo na turma dos Clinton e no governo do [republicano] Chris Christie em Nova Jersey. Essa gente não tem vez na equipe de Obama.

A segunda é sua noção de humanidade.
Donald Trump passa muito tempo prometendo barrar imigrantes muçulmanos. Só diz isso quem vê os muçulmanos como uma grande abstração. Já Obama foi a uma mesquita, encarou as pessoas e fez um discurso reafirmando que elas são americanas. Ele emana preocupação e respeito pela dignidade alheia.
Imagine que Barack e Michelle Obama entrem para sua organização de caridade. Você ficaria feliz de ter gente assim na sua comunidade.
Dá para dizer o mesmo do [republicano] Ted Cruz? A humanidade de um presidente brilha em momentos inesperados, mas cruciais.
A terceira é a retidão de seu processo decisório. A abordagem de Obama é promover seus valores o tanto que for possível dentro dos limites da situação. [O pré-candidato democrata] Bernie Sanders, por sua vez, se encarapuçou de tal forma em seus valores que a realidade parece não atingi-lo.
Veja a questão do serviço de saúde. Aprovar o Obamacare foi um esforço enorme que levou a duas derrotas gigantescas nas eleições legislativas. Como lembrou Megan McArdle em um artigo na Bloomberg, o Obamacare tirou a cobertura apenas de uma minoria de americanos.
Um Sanderscare tiraria a cobertura dada pelo empregador de dezenas de milhões de clientes insatisfeitos, destruiria o negócio das seguradoras e provocaria um enorme aumento de imposto. Isso é uma convulsão social.
Achar que dá para aprovar o Sanderscare em um Congresso polarizado em um país que desconfia do governo é viver em um conto de fadas intelectual.
Obama pode ter sido cauteloso demais, sobretudo no Oriente Médio, mas ao menos ele tem noção de realidade.
Quarta, Obama mantém a compostura sob pressão.
Acho um charme o nervosismo de Marco Rubio em dadas situações. Mostra que ele é normal. E tendo a achar que o excesso de confiança é uma das fraquezas de Obama. Mas um presidente tem que manter a pose. Obama fez isso, sobretudo na crise financeira. Rubio é uma incógnita.
A quinta é seu otimismo. Ouvir Sanders, Trump, Cruz ou o [republicano] Ben Carson é se regozijar com um pessimismo pornográfico, achar que o país está à beira do colapso. Temos problemas, mas menores do que os de quase qualquer outro país.
A oportunidade e a esperança motivam mais do que medo, cinismo, ódio e desespero. Diferentemente de candidatos atuais, Obama não apelou a esses sentimentos.
Obama não tem o temperamento perfeito. Vezes demais ele pareceu desdenhoso, desligado, recalcado ou ensimesmado. Mas há um ranço de torpeza se alastrando pelo mundo enquanto democracias recuam, o tribalismo avança e a desconfiança e o autoritarismo ressurgem.
Obama irradia integridade, humanidade, boas maneiras e elegância das quais começo a sentir falta, e, suspeito, todos sentiremos um pouco, independentemente de quem o substitua.
Como político e homem público que sou, fico triste em não poder ter o mesmo sentimento pelos presidentes que estiveram no poder de nosso país nos últimos tempos. Não sinto falta de nenhum deles e creio que a maioria dos brasileiros também não sentem.
Mas como foi dito acima a oportunidade e a esperança motiva mais do que qualquer medo, cinismo, ódio ou desespero. Ainda tenho fé de que nosso país será comandado por um grande líder e que esse dará ao nosso povo tão sofrido, todo respeito e dignidade que merecem.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Ano foi difícil, mas há esperança

Ano foi difícil, mas há esperança


Este 2016 ficará na lembrança como um ano de turbulências para o Brasil. Na economia, a crise se agravou de maneira significativa. Falou-se que as finanças do país estão gravemente enfermas, e a cura requer remédio amargo.

A terapia de choque que o governo está para aplicar ao "paciente" atinge a quase todos os brasileiros -são partes desse tratamento a fixação do teto para os gastos federais e a reforma da Previdência. Ninguém nega a necessidade de sanar as finanças públicas; o problema é determinar como serão feitos os cortes e a justa distribuição dos gastos.

A reforma da Previdência parece inquestionável para evitar a impossibilidade de honrar os compromissos com os aposentados, enfermos e outros assistidos. Também aqui, a questão é a distribuição equitativa de perdas e danos. Outra dificuldade é superar toda forma de corrupção na gestão do bem público.

Nem falemos das turbulências políticas! A presidente da República foi afastada; caiu o presidente da Câmara dos Deputados, por denúncias de corrupção; quase cai o presidente do Senado. Vários ministros de Estado foram afastados por denúncias de malversação do bem público; um ex-governador do Rio está preso e outros expoentes da política nacional são acusados de diversos crimes.

O ano político se conclui com ânimos sobressaltados e assombrados, diante dos anúncios de mais práticas ilícitas graves. Será este o ano da depuração na política brasileira?

Também vimos crescer a influência do Poder Judiciário; não há lembrança de precedentes similares. O procurador-geral da República e o Ministério Público têm agido com firmeza.

O Supremo Tribunal Federal está com mais trabalho do que nunca! Seu ativismo e protagonismo, quase sempre aplaudidos, por vezes parecem paradoxais, levando alguns a questionarem a eventual extrapolação de suas competências e a invasão do espaço do Legislativo.

É preciso reconhecer, porém, que, por força do Judiciário e de sua atuação, acontecem coisas inauditas nesta parte atlântica das Américas: denúncias e fatos de corrupção são seriamente investigados; altos diretores e executivos de empresas estatais e privadas são chamados às contas com a Justiça; pagam-se multas e outras penalizações, com somas antes inimagináveis, quando antes não se ouvia falar em devolução do bem público desviado ou roubado. Algo está mudando em nosso país tropical.

O ano também teve como marca gigantescas manifestações populares pelas ruas e praças de todo o Brasil. Em geral, não foram organizadas por partidos políticos ou sindicatos de categorias sociais: a voz das ruas apareceu e pretende ser ouvida.
Apesar de não ser sempre fácil compreender a linguagem dessas manifestações, elas deram expressão à consciência cidadã do povo brasileiro, que já não aceita mais o papel de mero expectador da cena política, sem influência nem participação. "Sua Excelência, o Povo" deseja usar a palavra e fazer valer a sua força, como apareceu claro nas eleições municipais de outubro.

O balanço geral do ano parece muito ruim, mas, a meu ver, não é tanto assim. Apesar de chegarem ao final do ano cansados de levar sustos, os brasileiros amadureceram no seu sentimento cidadão.

Os escândalos revelados, que parecem não ter fim, também podem ter o efeito de um choque ético para a consciência; tomara que apareça clara a percepção de que o "jeitinho" e a "lei da vantagem" não ficam bem, nem podem ser a referência maior nas relações sociais, econômicas e políticas. É preciso recuperar princípios e posturas éticas.

O cardeal dom Paulo Evaristo Arns, morto em 14 de dezembro, denunciou injustiças, violências e corrupção do poder enquanto foi arcebispo de São Paulo, mas nunca perdia a esperança de ver o Brasil curado de seus males: "coragem, não desanimem", dizia ele.

Seu lema,"de esperança em esperança", vale para desejar Feliz Natal e abençoado ano de 2017 a todos. Coragem, não desanimemos!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

ADVENTO, ELE ESTÁ PARA CHEGAR...

GOSTARIA NESTE MOMENTO, DE AGRADECER A TODOS QUE SEGUIRAM MEU BLOG E FACEBOOK DURANTE TODO ANO DE 2016. DESEJO DESDE JÁ UM NATAL DE MUITAS ALEGRIAS E REALIZAÇÕES E UM 2017 CHEIO DE DESAFIOS E CONQUISTAS.
COMPARTILHO COM VOCÊ, UMA LINDA MENSAGEM DE NATAL.

ADVENTO, ELE ESTÁ PARA CHEGAR...

O tempo passa... corremos o ano todo e só percebemos a proximidade do Natal quando as lojas, as ruas e os lares começam a se enfeitar com pinheirinhos, luzes, guirlandas, arranjos, presépios, papai-noel...
Neste clima de alegria e confraternização, pessoas de todas as idades, classes e raças se mobilizam a procura de presentes, enfeites, comidas, bebidas, cartões de confraternização, preparando tudo da melhor maneira possível para as festividades. E não há nada de mal nisso, desde que não nos desviemos do foco do Natal, o nascimento de Jesus. Apesar de ser um tempo, no qual nos tornamos mais acolhedores e mais solidários, nem sempre elevamos nosso pensamento e nosso coração no real sentido do Advento.
Fica aqui um questionamento: Qual o objetivo de toda essa preparação e qual o sentido do Advento para nós? Temos consciência de que ao celebrarmos o Natal fazemos memória ao nascimento do Deus Encarnado, que veio morar entre nós?
Estamos fazendo do Advento um tempo de espera e preparação interior, para acolher aquele que é o real motivo de existir o Natal, Jesus Cristo?
Que presente estamos preparando para o aniversariante homenageado no Natal? Estamos voltados para as riquezas do alto, acolhendo Jesus em nosso coração, em nossa família, na sociedade ou encontramo-nos mergulhados na beleza das luzes coloridas, na riqueza dos enfeites e no consumismo?
Percebemos a presença de Jesus no irmão que passa necessidade, no doente, no excluído e naquele para quem Jesus ainda não nasceu?
O Advento é um tempo propício à reflexão, à oração e à conversão. Preparemo-nos espiritualmente para acolher o Emanuel, o Deus-conosco, que veio a esse mundo para nos salvar e deixar uma mensagem de fé, de esperança e de amor!
Que o nosso coração seja uma manjedoura que acolha o Menino Jesus; que o nosso lar seja uma gruta, onde Maria e José encontrem abrigo e que o mundo seja um grande presépio, onde Jesus possa ser reconhecido e acolhido como Senhor e Salvador!

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós”

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Um sistema claramente disfuncional

Um sistema claramente

disfuncional

A consumação do segundo impeachment de um presidente da República em pouco mais de duas décadas obriga a uma profunda reflexão sobre a disfuncionalidade do sistema de representação em vigor no Brasil. Desse defeito estrutural decorrem graves riscos para a estabilidade política do País. Tanto no caso de Fernando Collor de Mello em 1992 como no de Dilma Rousseff agora, o que se viu foi o uso do impeachment para apear da Presidência governantes incapazes de arregimentar, por meios legítimos e legais, apoio suficiente no Congresso nem sequer para salvar a pele, que dirá para governar o País.
Os dispositivos constitucionais e infraconstitucionais, como a Lei 1.079, de 1950, previstos para salvaguardar o interesse nacional em casos extremos, são razoavelmente eficazes. Por eles se resolvem os excessos cometidos contra a lei orçamentária e a administração do dinheiro público, como foi o caso de Dilma, e de quebra de decoro, como aconteceu com Collor. O problema, portanto, não reside aí.
O que condena o País a viver crises políticas periódicas é a estrutura viciosa e viciante do sistema partidário e eleitoral. A pretexto de permitir-se a livre manifestação das ideias, foram criadas imensas facilidades para a formação de partidos. São mais de 30, e há outros tantos no forno. Criam-se partidos com mais facilidade do que se abrem negócios de secos e molhados. Não há ideologias e programas para tantos partidos. E muitos deles, de propósito ou por falta do que melhor fazer, se tornam, de fato, agentes de negócios, tendo por capital tempo de propaganda gratuita e como avalistas eleitores ingênuos que sufragam os mais espertos do grupo.
Nesse sistema é praticamente impossível um candidato eleger-se para cargo majoritário – de prefeito a presidente da República – e, ao mesmo tempo, conquistar maioria no Legislativo. Esse sistema é uma fábrica de governos de minoria. É consequência da tendência parlamentarista que teve certo predomínio nos trabalhos da Constituinte de 1988. Mas acabou prevalecendo a ideia presidencialista, o que resultou nesta extravagância que temos de suportar.
Completa sua irracionalidade a clausura em que se transformaram os partidos, devido ao facilitário legal. São eles, na maioria, propriedade titulada de alguns que, para não perder suas posses, restringem o debate interno ao mínimo e impedem a renovação de quadros. Assim, a vida partidária se estiola, nela ficando os de sempre e dela se afastando a juventude idealista disposta a servir à Nação.
Graças ao sistema eleitoral proporcional em vigor, esses partidos conseguem eleger nulidades sem nenhuma representatividade, mas com grande apetite pelas sinecuras que os governos costumam oferecer para compor sua base de apoio. Tal maioria, como é possível depreender, não é nem fiel nem programática: reúne-se e vota a favor do governo somente se for devidamente alimentada. A cada votação, cada um dos parlamentares, como se fosse um partido de si mesmo, apresenta sua fatura ao governo.
Para recuperar o valor do voto, e acabar com esse mercado indecente, seria necessário aprovar um sistema que restabelecesse a relação do eleitor com o eleito. O sistema distrital seria a solução óbvia – cada partido apresenta apenas um candidato por distrito, e quem tiver mais votos leva a vaga. Hoje, o sistema é proporcional, por meio do qual muitos candidatos se elegem sem que o eleitor saiba quem são, fenômeno agravado pela possibilidade de coligações, que permitem a eleição até de quem teve apenas um punhado de votos. A ausência de uma cláusula de barreira suficiente para barrar partidos de aluguel completa a desmoralização do Congresso.
E assim se chega ao centro do problema, que mina o edifício da democracia brasileira. O Congresso deixou de ser o local em que se negociam projetos para o País. Prevalecem os interesses paroquiais, quando não a mais desbragada corrupção, sempre por meio de maiorias de ocasião. Estabelece-se, assim, um círculo vicioso, que nada tem a ver com o desejado mecanismo de freios e contrapesos entre os Poderes, muito menos com governabilidade. Esse sistema não é a causa da corrupção que devora o Tesouro e pisoteia a dignidade da Política. Há sempre a considerar o mal que habita a alma humana. Mas o despautério do sistema é um convite à transgressão. É preciso, com urgência, fazer uma reforma política decente.

Fonte: Estadão

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vivemos um momento de grave crise política, ética e moral

Vivemos um momento de grave crise política, ética e moral

São tantas as notícias ruins envolvendo nosso país e nossa economia que nos sobram poucas coisas para comentar. Enquanto o governo não for do polvo vamos vivendo de lula.


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Brasil ainda não chegou ao fundo do poço, diz Moreira Franco
Em sua conta no Twitter, o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Wellington Moreira Franco, disse que a economia brasileira ainda vai piorar antes de melhorar. Mas, ao menos, há uma perspectiva de recuperação econômica a partir das medidas enviadas ao Congresso Nacional pelo presidente em exercício, Michel Temer.
"Na economia o #Brasil não chegou ao fundo do poço. Ainda vai piorar, mas com menos velocidade e, sobretudo, tendendo a estabilizar", escreveu. "Consequência das medidas econômicas propostas pelo pres @MichelTemer ao Congresso com objetivo de equilibrar as contas públicas". E concluiu: "Ou seja, nós continuaremos a sofrer com a falta de emprego e renda. Mas agora há um túnel! Antes nem isso tínhamos. #Crescer".
Ele cita dados do Banco Central para mostrar o tamanho do desafio do ajuste na economia, ao escrever que "no semestre rombo é de R$ 23,8 bi; dívida atingindo 42% do PIB." Ele acrescenta que há muito a fazer para mudar o quadro e "voltar crescer, gerar emprego, a criar oportunidades p os q querem empreender por conta própria." Um caminho, conclui, são as parcerias com o setor privado em concessões e privatizações.
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O descrédito da Política e a omissão do povo
RODRIGO SILVA FERNANDES.
ADVOGADO E ARTICULISTA POLÍTICO DA GAZETA DE VARGINHA. 

Nesta semana as principais legendas fazem suas convenções para ratificar os acertos e conchavos fechados durante meses de composições e negociações. Algumas legendas cumpriram sua palavra e postura ética, outras falaram uma coisa e fizerem outra. Já há casos de legendas que sufocaram as próprias chances de lançar candidato em nome de interesses financeiros e menos nobres, bem como outras legendas que foram negociadas como “batatas na feira”.
Fato é que entre loucos, burros e bandidos, os partidos poderiam estar em mãos melhores na cidade! Tem muita gente perplexa com as atrocidades que temos visto nos bastidores da política local, que na verdade é reflexo da política que é praticada no Brasil. A realidade que vemos, e que parece, não vai mudar, é que a omissão dos bons, tem dado ótimas chances e sobrevida aos bandidos! Não é o político que vira bandido, mas o voto mal dado que faz do bandido um político.
Para quem atua nos bastidores isso é visto claramente! E não adianta o cidadão comum, de bem, querer ser apolítico, para não correr o risco de ser desacreditado! Isto é errado! Na verdade, o cidadão de bem, trabalhador, interessado em ajudar a cidade deveria sim ser, e muito, político, e não partidário! Afinal, todos os problemas da cidade, passam por uma política pública eficiente! Todavia, vemos que o descrédito da Política e dos políticos, tem deixado o povo e suas lideranças desesperançadas quanto ao interesse de participar da política. Foram muitos os lideres partidários que reclamaram à coluna a dificuldade de se conseguir bons nomes para lançar ao Executivo e Legislativo. Na medida em que as pessoas de bem vão desacreditando em si mesmas e no seu poder de mudar a realidade política da cidade pela participação direta na Política, já estamos perdendo o jogo, tendo que escolher entre o péssimo e o menos pior! Pelo que se pode depurar das negociações que findam nesta semana, Varginha vai precisar contar com muita sorte para que o eleitor saiba “garimpar” entre os candidatos, aqueles que não vão trair a vontade do povo que os elegeram! Que Jesus tenha piedade de nossa querida Varginha.

Na verdade não duvidamos que o que movimenta este governo hoje é o desejo maior e principal de conseguir a reeleição! Afinal, estão em jogo centenas de cargos de confiança, um orçamento superior a 1 bilhão de reais, que corresponde ao orçamento que passa pelo Executivo e uma gorda aposentadoria de 1 milhão de reais nos próximos quatro anos!



quinta-feira, 21 de julho de 2016

Diga-me o que postas e direi quem és!

Diga-me o que postas e direi quem és!

Democracia,  palavra de origem etimológica grega: demokrátia. Palavra muito bem descrita em nosso dicionário:  “regime em que há liberdade de associação e de expressão e no qual não existem distinções ou privilégios de classe hereditários ou arbitrários.”
Então, como vivemos em um país democrático, farei uso deste espaço, mais uma vez, para expressar minhas opiniões, conforme disse na postagem do dia 1º de julho, depois de participar do encerramento do Fórum Varginha 2050. Sendo assim convido todos vocês a mais uma reflexão.
O político é empregado do povo. É alguém que foi eleito e colocado ali para trabalhar e fazer o melhor em benefício do povo. Ele recebe, e recebe muito bem, para exercer o seu papel da melhor maneira. Sendo assim, podemos dizer então que a política é um emprego, mas esse emprego vai na contramão do que se vê normalmente, pois aqui, a experiência é um fator importante para uma boa administração pública.
Exemplo disto é o ex-ministro e ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias, que foi um dos melhores administradores que nossa capital já teve e nos seus mais de 70 anos foi cotado para ser candidato novamente por Belo Horizonte, mas que por questões pessoais deixou claro como será sua participação nas próximas eleições. O problema na política nunca foi a idade, mas sim o caráter, respeito e seriedade do candidato.
Mas deixemos essa conversa de idade pra lá e vamos ao que interessa. Faltam pouco mais de dois meses para o primeiro turno das eleições municipais de 2016, que elegerão em todo o país prefeitos e  vereadores, será realizada em 2 de outubro, primeiro domingo do mês.
Todos sabem que sempre fui e sempre serei um militante político. Já fui vereador e presidente da Câmara, além de ter conduzido a nossa cidade, como prefeito, por dois mandatos. Nunca mudei de posição partidária e sempre recebi, por parte das pessoas que me conhecem, o reconhecimento pelo trabalho e esforço realizado para tornar Varginha uma das melhores cidades do país. Tive uma administração focada na geração de empregos, educação, saúde e desenvolvimento, trouxe indústrias e empresas de renome para Varginha.
É triste ver o cenário em que nosso município se encontra hoje. Lendo algumas páginas de um jornal local vi uma matéria sobre o Programa de Revitalização e Modernização de distritos industriais onde serão investidos mais de 30 milhões de reais em 13 cidades do estado, me espantei ao ler que a única cidade do Sul de Minas inclusa era Pouso Alegre. Varginha está claramente ficando de fora e cada dia mais sendo esquecida pelas grandes empresas geradoras de empregos e renda.
Esse é o papel do administrador público, fazer com que nossa cidade seja vista, seja atrativa aos olhos dos investidores, fazer com que eles percebam que é lucrativo e benéfico investir em nossa cidade. Um bom administrador que consegue fazer isso consequentemente traz desenvolvimento e emprego a toda população. Porém, quando isso não acontece é sinal de que administrador não está exercendo sua função como devia e está ficando desvanecido.
Na política é comum que OS PARTIDOS QUE COMUNGUEM DOS MESMOS IDEAIS realizem alianças a fim de trazer para nossa cidade benefícios de maneira mais fácil e rápida. Sou filiado ao PP por antiga origem partidária, sendo atualmente membro da comissão provisória do partido e o que vejo hoje são acordos espúrios entre PARTIDOS QUE NUNCA COMUNGARAM DOS MESMO IDEAIS, partidos que sempre tiveram animosidades e que agora querem se unir por interesses particulares e que não trarão nenhum benefício para o povo. Gostaria de manifestar minha opinião sobre isso e dizer que não concordo, não farei parte, não voto, nunca votarei e peço a todos que não votem em partidos que possam fazer esse tipo de acordo.
Minhas opiniões sempre giraram em torno do que penso a respeito da minha cidade. Nunca pautei minhas ideias em questões partidárias. Infelizmente quando há manifestações politicas cria-se posições favoráveis ou não e as pessoas nem sempre compreendem. É preciso entender que é necessário respeitar a opinião alheia, mesmo que você não concorde e não compartilhe das mesmas ideias, sem que para isso se tornem inimigos.

Gostaria de finalizar esse texto com uma frase de Charles Chaplin e que justifica tudo que faço e que sempre fiz nesses muito bem vividos 85 anos! “A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O Orçamento do atraso

O Orçamento do atraso

Para ajustar o projeto da LDO aos novos números, o relator pretende acrescentar R$ 2,4 bilhões às despesas

Pizza pode ser um grande símbolo político. A margherita foi inventada – com as cores verde, vermelha e branca, do manjericão, do molho de tomate e do queijo – como homenagem à rainha Margherita di Savoia. Em pizza, no Brasil, é como terminam, quase sempre, os inquéritos parlamentares, sob influência do corporativismo e do interesse comum na segurança do mandato. Também uma pizza grande, cara e de muitos sabores é o Orçamento-Geral da União, partido e repartido em pedaços de vários tamanhos para atender a muitos interesses particulares, numa festança financeira, e, se algo sobrar, até ao interesse nacional. Essa tradição é reafirmada, agora, com a tentativa do relator-geral da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), senador Wellington Fagundes (PR-MT), de impor um custo para aceitar a nova meta fiscal proposta pelo Executivo.
Para ajustar o projeto da LDO aos novos números, o relator pretende acrescentar R$ 2,4 bilhões às despesas. A maior parte do gasto adicional seria destinada às emendas impositivas, aquelas imunes ao bloqueio pelo Tesouro durante o exercício fiscal.
Os outros R$ 800 milhões engordariam a verba paga aos Estados para compensar a desoneração das exportações de produtos básicos e semielaborados. Desde a aprovação da Lei Kandir, na década de 1990, os governos estaduais ganham essa compensação para livrar do ICMS aquelas exportações. A Lei Kandir deveria ter durado pouco tempo e aquela transferência seria extinta depois de alguns anos. A obrigação imposta ao Tesouro Nacional, porém, passou a ser parte da rotina orçamentária – mas isso é outra história. A obrigação remanescente acrescentou-se, enfim, ao bolo da barganha anual entre parlamentares e Executivo federal.
Se a fatura imposta pelo senador for paga, as emendas imunes a bloqueio passarão de R$ 4,8 bilhões para R$ 6,4 bilhões. O valor pode parecer pequeno, como parcela do Orçamento, mas qualquer aumento de gasto é em princípio inconveniente, quando se projeta um déficit primário de R$ 170,5 bilhões e a dívida pública avança na direção de 80% do Produto Interno Bruto (PIB).
Além disso, a qualidade da maior parte das emendas é bem conhecida e integra, há muitos anos, o folclore da política brasileira. Parlamentares e bancadas estaduais costumam apresentar emendas de interesse meramente clientelístico e local, como se fossem vereadores com mandato federal. Ocasionalmente as despesas propostas podem ter alguma importância, mas têm o defeito congênito de ser descoladas de qualquer princípio de prioridade nacional.
Desse ponto de vista, são inegável desperdício, porque tornam menos eficiente o uso de recursos públicos. A maior parte dos projetos caberia mais adequadamente em orçamentos municipais ou estaduais.
Jogos desse tipo revelam duas atitudes muito comuns em Brasília – muito mais comuns do que em outras capitais políticas de países com tripartição de poderes. Primeira: a incapacidade de pensar em termos de interesse nacional. Não só na forma de tratar o Orçamento, mas também nas discussões de temas de alcance muito amplo, como o sistema tributário ou a política de comércio exterior, a visão provinciana e de muito curto prazo tende a prevalecer.
Segunda: o Tesouro Nacional é único, mas tende-se a conceber a independência dos poderes como independência para gastar. Além disso, atribui-se a responsabilidade pela saúde financeira do Estado somente ao Executivo. Todos têm o direito de gastar, mas só o presidente e sua equipe são responsáveis pelo equilíbrio fiscal.
Nas democracias ocidentais, a sujeição das finanças públicas ao Parlamento foi um meio de regular os gastos. Controlar o poder do rei para entrar em guerras foi um dos objetivos iniciais, mas limitar a necessidade de impostos para sustentar o governo também foi uma forte motivação. Os primeiros países a entrar nesse caminho se tornaram ricos e poderosos. O Brasil ainda espera o futuro. Enquanto isso, danem-se as finanças públicas.