O
trecho acima faz parte da Campanha da Fraternidade deste ano, cujo mote central
é a saúde pública. O problema da saúde pública em Varginha, bandeira de
campanha eleitoral em duas eleições municipais, não surtiu os efeitos
desejados, ficando com índices bem abaixo de cidades da região. Lamentável,
porque nestes dois períodos tivemos como prefeitos, profissionais ligados especificamente
na área de saúde.
Entrarmos
no mérito da questão em Varginha torna-se difícil. Pois, todos sabem que os
maiores problemas surgidos nas duas administrações petistas foram justamente as
questões ligadas ao atendimento médico hospitalar nas competências municipais,
como exemplo o pronto atendimento.
Fazendo
referências somente ao setor público, vivemos diversas situações com reclamações
de todos os envolvidos, chegando a tal ponto de ser necessária a criação pela Câmara
Municipal de se fazer uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), para tomar
conhecimento das precárias condições de funcionamento, inchaço do quadro de funcionários,
não capacitados para as funções exercidas, empreguismo, má administração, péssimo
atendimento, e o consumo de muitos milhões de reais por parte do poder público.
Varginha,
no geral, dispõe de um dos maiores centros de saúde da região e do Estado, com
referência em todos os segmentos da moderna medicina, nas mais diversas
especialidades clínicas. Com todo esse patrimônio, que faz de nossa cidade tão
reconhecida na saúde, deveríamos também ter por parte do poder público tantos
outros instrumentos facilitadores da vida para a comunidade mais humilde, que
infelizmente não dispõe de recursos privados.
O
balanço do Ministério da Saúde vem colocar em discussão os resultados,
divulgados na última quinta-feira (01), que indica nossa cidade abaixo de quase
todas as cidades da região, que não dispõem da mesma estrutura.
Varginha
obteve 5,61 pontos na avaliação do Ministério da Saúde [Governo Federal], que
vai de 0 a 10. Para se chegar a estes dados foram adotados Índices de Desempenho
do Sistema Único de Saúde (IDSUS), esses indicadores serviram para avaliar o
acesso de serviços à saúde na atenção básica, ambulatorial, urgência e emergência,
exames clínicos, partos, doenças curadas. Também foram consideradas as
infraestruturas de saúde oferecidas à população.
Difícil
encontrarmos uma cidade de longa data, com um número elevado de postos de
saúde, em quase todos os bairros, Hospital Regional e um grande hospital
municipal, com pronto socorro e atendimento. Sempre contando com grandes
investimentos dos governos Federal e Estadual, e também com as dotações
orçamentárias obrigatórias locadas anualmente. Como Varginha pode ficar abaixo
da média na região?
Tudo
fica claro que não existiu e nem existe um modelo de gestão específico, para
administração de uma questão vital, e nem conhecimento dos gestores em serviços
de saúde pública. O que causa, então, impossibilidade aos mais necessitados de
atendimentos médicos, medicamentos e internações.
Com este resultado
apresentado pelo Ministério da Saúde, só nos resta no momento repetirmos o desabafo
do jornalista e advogado Daniel Simão:
“Oh, meu
Brasil...
Estou
envergonhado.
Cabisbaixo.
Taciturno.
Completamente
preso às minhas mais angustiantes reflexões.
Não vejo
luz no fim do túnel.
Sou refém
da revolta.
Da
impotência.
Do
descaso.
Sou sobrevivente
morto neste país de desiguais.
Gladiador
solitário.
Um
exército inerte.
Tristeza e
desalento ao mesmo tempo.
Grão de
areia no sistema absurdo.
Observador perplexo da estupidez, do
mau-caratismo, da insensatez humana.
Sou o medo da mulher indefesa presa numa cela
com homens; Sou a dor e o desespero do índio ao sentir as chamas lhe tomarem o
corpo.
Sou o
sangue coagulado nos olhos do homossexual agredido, ou as costelas quebradas da
doméstica espancada gratuitamente.
Vejo-me
nos olhos da criança carente ou do deficiente físico que me pede trocados na
rua.
Sinto as
balas perdidas me perfurarem os tecidos e atingirem o coração.
Sou o voto jogado fora nas urnas.
A
corrupção desenfreada. [...].
O arroz
com feijão que falta na mesa do almoço.
Sinto a
fome, a sujeira que me cobre o corpo, a doença que me come as vísceras.
Sou um garoto e, dias depois, pedaços humanos,
restos mortais resultantes da mutilação advinda do atrito do meu corpo com o
asfalto.
Sou o pai que
passa a mão na cabeça do filho delinqüente.
A mãe carente grávida do sexto filho.
Sou o
traficante todo-poderoso.
O drogado
e o policial dos ambientalistas amazônicos.
O último
suspiro de vida do ser humano nas filas do SUS.
Vejo o
preconceito e o desemprego.
Sou as
lágrimas do povo.
Os seus anseios.
A
esperança esquecida.
Os ‘por cento’ dos juros, e os impostos
governamentais.
Não tenho educação.
Saúde? Só a que Deus me deu.
Sou cego e
não sei ler.
Sou surdo e
não posso ouvir.
Enxergo e
gostaria de nada ver.
Mas vejo.
Vislumbro.
Percebo.
Compreendo.
Uso as palavras.
Preciso me
expressar para curar o incurável.
Faço parte
da tropa alienada.
Sou seu
comandante passível e medroso.
O seu
soldado dorminhoco.
Sou o cão
de guarda dócil.
O pateta
assumido.
O filho
que foge à luta.
A ordem,
desorganizada, e o progresso inexistente.
Sou o
Brasil do muito para poucos e do pouco para muitos”.
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