E as coisas continuam...
Mundo, mundo, vasto mundo, se eu me chamasse Raimundo, seria uma rima, não uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo, mais vasto é meu coração”. Os versos de Carlos Drummond de Andrade parecem inspirar os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira. Quer ver? “Baixaria e pizzaria, se eu me chamasse investigação, seria uma rima, não uma solução. Mundo, mundo, vasto mundo, nem o Raimundo de Drummond salva a comissão”. A baixaria teve como alvo o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG). Ele foi acusado pelo colega Fernando Francischini (PSDB-PR) de se comportar como um “tigrão”, quando faz perguntas envolvendo o governador de Goiás, Marconi Perillo e sobre o PSDB, e de agir como “tchutchuca” quando o assunto envolve casos que se referem ao PT. Neste mundo político, boa coisa não vai sair.
Os depoimentos de ontem de nada serviram. Muito antes pelo contrário. O ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o araponga Dadá, se reservou o direito de permanecer calado. Ao contrário de quarta-feira, quando inúmeros parlamentares quiseram aproveitar os holofotes acesos e as câmeras de televisão focadas em Carlinhos Cachoeira e dispararam perguntas que ficaram sem respostas, a CPI decidiu encerrar os trabalhos e não repetir o mico do dia anterior. A mesma atitude de Dadá teve também o sargento da Polícia Militar do Distrito Federal Jairo Martins de Souza.
No vasto mundo político prevalecem os interesses partidários. Tucanos querem salvar Perillo, petistas querem preservar Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal, e os peemedebistas o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Quanto mais vasto é o coração dos nobres parlamentares com os colegas de partido, menos chance tem a comissão de se tornar uma solução que permita aprimorar os mecanismos de combate à corrupção neste vasto pequeno mundo chamado Brasil.

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