Estádios
valem votos no país do futebol
Pré-candidatos
à Presidência entram em campo para garantir que obras sejam entregues a tempo
de alavancar o sonho do Planalto enquanto Dilma chuta a bola da popularidade.
Mineirão,
Itaquerão, Castelão, Aflitos. Os estádios de futebol prontos ou em obras para a
Copa’ 2014 no Brasil não vão servir apenas para receber jogadores e torcedores
no Mundial de futebol. Pré-candidatos à Presidência da República nas eleições
que acontecerão três meses depois do fim da competição encaram a preparação
para os jogos, o que envolve a entrega de estádios modernos, confortáveis e
também a infraestrutura para acesso aos campos, como uma oportunidade de
conquistar votos.
Mais
provável concorrente ao Palácio do Planalto pelo PSDB, o senador Aécio Neves
assinou em 25 de janeiro de 2010, quando era governador de Minas Gerais, a
autorização para o início das obras do Mineirão. Dois meses depois, entregou o
cargo ao vice, Antonio Augusto Anastasia (PSDB), para disputar uma vaga no
Senado. Nos últimos dois anos visitou periodicamente o canteiro de obras e
participou da inauguração do estádio na sexta-feira.
Mesmo
depois de tanto trabalho e de ver o Mineirão ficar pronto no prazo esperado, o
senador não ficou de todo satisfeito. Aécio chegou a anunciar no dia 12 que o
estádio seria o primeiro a ser inaugurado para a Copa’ 2014. “Fizemos tudo como
era planejado. Essa obra começou ainda no meu governo e continuou no governo de
Anastasia, seguindo os preços previstos, com o cronograma físico absolutamente
cumprido. O estádio está belíssimo, maravilhoso, aconchegante. Estamos todos
muito felizes de estar entregando o Mineirão. Ouso dizer, o governador talvez
não possa, diplomático como é, mas a grande verdade é que o Mineirão é o primeiro
estádio pronto para a Copa do Mundo e para a Copa das Confederações entregue à
população”, afirmou, durante uma das últimas visitas às obras do campo da
Pampulha.
No
entanto, no dia 16, cinco dias antes da festa de entrega do estádio, a
presidente Dilma Rousseff (PT), ao lado do governador do Ceará, Cid Gomes
(PSB), inaugurou o Castelão, em Fortaleza, que acabou assegurando o “título” de
primeiro estádio brasileiro a ficar pronto para o Mundial. Dilma também
compareceu à entrega do Mineirão, e a presença da presidente não agradou ao
comando do PSDB em Minas. Horas antes de ela chegar, pela manhã, o presidente
estadual da legenda, deputado federal Marcus Pestana, ao fazer um balanço de
2012 para a imprensa, questionou, ao ler um texto sobre a inauguração do
estádio, o que a presidente tinha a ver com a obra. Um jornalista perguntou se
não havia recursos federais no projeto. Pestana afirmou que dinheiro do Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não é da União. “É um
empréstimo”, retrucou. Segundo o site do governo federal que monitora a
evolução das obras para a Copa, a reforma custou R$ 695 milhões. Do total, R$
400 milhões foram financiados pela União.
O
engajamento de Aécio Neves no projeto do Mineirão alcançou tal proporção que,
em 29 de novembro, o senador mobilizou sua assessoria de imprensa para
reproduzir decisão da Fifa de realizar no estádio a partida amistosa entre
Brasil e França, em 9 de junho de 2013. No comunicado enviado pelo gabinete do
senador, Aécio considerou o anúncio como a “a consagração do projeto de reforma
do estádio, idealizado pelo governo de Minas”.
Só
em 2013 Bem mais atrasadas que as do Mineirão, as obras do Itaquerão, em São
Paulo – governado pelo também tucano Geraldo Alckmin –, só começaram em maio do
ano passado. A demora impediu que o estádio fosse utilizado na Copa das
Confederações, uma preparação para a Copa’2014, realizada um ano antes do
Mundial. A previsão é de que o estádio só seja entregue em dezembro de 2013.
Alckmin disputou a Presidência da República em 2008 e é outro nome da legenda
para a corrida pelo Palácio do Planalto em 2014.
Apesar
de ter ficado para trás em relação ao início das obras, o Itaquerão está na
dianteira em relação à infraestrutura para acesso ao estádio. Em 28 de novembro,
o secretário-geral da Fifa, Jerôme Valcke, foi de trem até o canteiro de obras
e gastou apenas 19 minutos partindo da Estação da Luz, Região Central da
capital paulista. Em Belo Horizonte, o transporte dos torcedores será feito
pelo chamado BRT, um ônibus especial para utilização em grandes corredores
viários.
No
único possível front nordestino na disputa pela presidência está o Estádio dos
Aflitos, em Recife, Pernambuco, governado por Eduardo Campos (PSB), que mesmo
depois de anunciar apoio à reeleição de Dilma Rousseff não perdeu o status de
pré-candidato. Sobretudo em caso de perda de prestígio político da atual
presidente num eventual novo recrudescimento da crise econômica mundial.
Como
parte de seu portfólio, teria a reforma do Estádio dos Aflitos. Para isso, no
entanto, teria que seguir a linha defendida pelo presidente do PSDB de Minas
Gerais. Dos R$ 500,2 milhões que serão gastos nas obras do campo na capital
pernambucana, R$ 400 milhões sairão de financiamento do governo federal. A
entrega do estádio está prevista para fevereiro.
Fonte:
Estado de Minas

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