De certa forma o governo de Minas corrobora com a necessidade de multiplicar os caminhos da economia. O discurso difundido é de que uma de suas principais metas é promover a diversificação da economia, justamente para fugir da dependência dos segmentos tradicionais em relação aos rumos do consumo internacional de matérias-primas agrícolas e industriais. Em entrevistas recentes ao Estado de Minas, a secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, informou que a estratégia de atração de investimentos está centrada em cinco setores da indústria e do ramo da prestação de serviços considerados prioritários, em decorrência do desenvolvimento tecnológico que os caracteriza e da geração de empregos de alta qualidade, como consequência do conhecimento exigido dos profissionais.
São áreas vitais da chamada nova economia, que compreende investimentos de ponta e de baixo impacto no meio ambiente. Três desses novos setores já começaram a surgir como promessa de se tornarem polos industriais importantes em Minas: a produção de fármacos e equipamentos médicos, serviços de tecnologia da informação e componentes eletroeletrônicos. Os outros dois segmentos contam com a dedicação de técnicos do estado para estruturá-los: a fabricação de peças e componentes para a indústria aeroespacial e a produção de energias classificadas como alternativas, a partir de biomassa, da força dos ventos (eólica) e da radiação solar, além da atual pesquisa de gás natural na porção mineira da Bacia do São Francisco.
A avaliação do coordenador de Contas Regionais do Centro de Estatística e Informações da Fundação João
Pinheiro, Raimundo Leal, é de que países responsáveis pela importação de commodities dificilmente voltarão a crescer no mesmo ritmo de antes da crise de 2008, o que significa redução na demanda e, por consequência, dos valores. Mas, por saber disso, o poder público tem o desafio de mudar o percurso do crescimento, sem deixar de usufruir dos recursos naturais disponíveis. Ele cita o exemplo de desenvolvimento sueco e australiano, que, no século passado, souberam usar os recursos naturais como aliados no avanço industrial. “Avançaram na industrialização, mas tiraram proveito do que se tinha de melhor para oferecer", afirma o pesquisador, citando o caso da indústria de móveis da Suécia como exemplo de prosperidade.


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