terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Governo reduz verba para emendas de parlamentares

Governo reduz verba para emendas de parlamentares

MÁRCIO FALCÃO
GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

Após um período de aparente tranquilidade na relação com o Congresso, o governo Dilma Rousseff anunciou ontem a aliados medidas com potencial de azedar a relação neste fim de ano.
Em reunião com líderes de bancadas governistas, o Planalto avisou que, por dificuldade de caixa, vai frear a liberação de verbas para as obras apadrinhadas por deputados e senadores.
A medida foi interpretada por eles como rompimento de acordo firmado após os protestos de rua de junho.
O governo ainda indicou que deve vetar uma das principais bandeiras de Henrique Eduardo Alves (RN), presidente da Câmara e cacique do PMDB, o segundo maior partido da coalizão dilmista.
Trata-se da regra inserida na Lei de Diretrizes Orçamentárias que prevê o pagamento obrigatório de parte dessas verbas.
As chamadas emendas parlamentares representam, em grande parte, obras incluídas por deputados e senadores no Orçamento da União, geralmente direcionando dinheiro para seus redutos eleitorais.
O recado foi transmitido pelas ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Miriam Belchior (Planejamento) a líderes das bancadas do PT, PMDB, PP e Pros.
Segundo os deputados, o governo avisou que já utilizou o dinheiro do caixa reservado para as emendas e que só serão pagos R$ 10 milhões dos R$ 12 milhões prometidos para os mais de 400 parlamentares da base aliada.


O acerto ocorreu no início do segundo semestre, quando Dilma enfrentava ameaça de rebelião generalizada no Congresso, entre elas a de que vetos seus a projetos aprovados pelo Legislativo fossem derrubados.
Os números da execução orçamentária mostram que o governo acelerou a liberação de verbas para emendas parlamentares a partir de agosto. Mas, até agora, o aumento das autorizações não se traduziu em alta dos desembolsos efetivos.
A maioria das emendas ainda está na fase do empenho --a primeira etapa do gasto orçamentário, quando os recursos são formalmente reservados; o pagamento, porém, pode demorar anos ou até ser cancelado posteriormente.
Para medir essa evolução, a Folha consultou as 20 iniciativas orçamentárias que mais concentram emendas. Até novembro, elas contabilizavam empenhos de R$ 6,3 bilhões e pagamentos de R$ 2,8 bilhões.
Para o líder do bloco PP e Pros, Eduardo da Fonte (PE), o congelamento dos recursos demonstra que está faltando "sintonia" entre governo e sua base de apoio.
"Não era para estar tendo esse tipo de problema com a base. A culpa não é da base, é da falta de sintonia do processo político. Não está tendo sintonia", afirmou.
Após o anúncio, a bancada do PMDB barrou ontem as votações da Comissão Mista de Orçamento da proposta orçamentária de 2014, que corre o risco de não se aprovada neste ano.
"Não vamos fazer papel de otários. Precisamos de confirmação clara do governo", disse Danilo Forte (PMDB-CE), relator do Orçamento de 2014, se referindo à intenção do governo de vetar a regra que obriga o pagamento de um percentual mínimo das emendas parlamentares.
O líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), negou rompimento de acordo por parte do Planalto, afirmando que o governo bate recorde de liberação de emendas. "É um recorde. A média nunca passou de R$ 8 milhões."


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