O PT sem a
pele de cordeiro
A direção do PT considera que a reeleição da presidente
Dilma Rousseff é a oportunidade para fazer uma profunda mudança na organização
do Estado, na direção daquilo que o partido chama de "reformas
democrático-populares".
Uma resolução da sua Comissão Executiva Nacional - que reúne
a nata do comando petista - deixa claro que o partido está convencido de que já
pode despir-se da pele de cordeiro que Lula precisou vestir quando se elegeu
pela primeira vez, em 2002. Naquela ocasião, recorde-se, o ex-metalúrgico - que
em 1989 prometia estatizar tudo e tratar com desprezo os credores
internacionais, aos quais chamava de "agiotas" - mudou o discurso e
passou a prometer o "respeito aos contratos e obrigações".
Passado o susto da apertadíssima eleição, em que Dilma
venceu basicamente porque sua equipe de marketing levou o "vale-tudo"
eleitoral a dimensões inéditas, o PT quer tomar a dianteira e pautar o novo
mandato da presidente - desta vez na direção de seu antigo projeto de 1989. No
radical programa de governo para a campanha eleitoral daquele ano, o texto
assinado por Lula dizia: "Se me pedissem para resumir numa frase o sentido
do nosso programa, eu diria: reorganizar a sociedade brasileira, conferindo o
papel de direção àqueles que vivem no mundo do trabalho e da cultura".
As semelhanças daquele programa de Lula com o adotado pelo
atual comando do PT na resolução divulgada nesta semana são claras. Entre as
prioridades escolhidas pelo partido para o novo mandato de Dilma, os petistas
dizem que "é urgente construir hegemonia na sociedade" e
"promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a
democratização da mídia".
A "hegemonia" perseguida pelo PT é o poder de
determinar o que é a verdade, o que é certo e o que é errado. Para isso, é
necessário "promover reformas estruturais", especialmente a reforma
política - que, no modelo petista, significa submeter o Estado a organizações
"populares" que respondem ao partido -, e "democratizar a
mídia", que é o outro nome para a censura e a tentativa de propagar o
pensamento único.
Assim, para o atual comando petista, nostálgico dos anos de
sua fundação, a tarefa de "transformar o Brasil" demanda agora uma
combinação de ação institucional, de mobilização social e de "revolução
cultural". Para isso, o partido quer ampliar a importância de áreas como
comunicação, educação, cultura e esporte, "pois as grandes mudanças
políticas, econômicas e sociais precisam criar raízes no tecido mais profundo
da sociedade brasileira". Eis aí a fórmula da hegemonia proposta pelo PT.
A direção do PT considera que a reeleição da presidente
Dilma Rousseff é a oportunidade para fazer uma profunda mudança na organização
do Estado, na direção daquilo que o partido chama de "reformas
democrático-populares".
Uma resolução da sua Comissão Executiva Nacional - que reúne
a nata do comando petista - deixa claro que o partido está convencido de que já
pode despir-se da pele de cordeiro que Lula precisou vestir quando se elegeu
pela primeira vez, em 2002. Naquela ocasião, recorde-se, o ex-metalúrgico - que
em 1989 prometia estatizar tudo e tratar com desprezo os credores
internacionais, aos quais chamava de "agiotas" - mudou o discurso e
passou a prometer o "respeito aos contratos e obrigações".
Passado o susto da apertadíssima eleição, em que Dilma
venceu basicamente porque sua equipe de marketing levou o "vale-tudo"
eleitoral a dimensões inéditas, o PT quer tomar a dianteira e pautar o novo
mandato da presidente - desta vez na direção de seu antigo projeto de 1989. No
radical programa de governo para a campanha eleitoral daquele ano, o texto
assinado por Lula dizia: "Se me pedissem para resumir numa frase o sentido
do nosso programa, eu diria: reorganizar a sociedade brasileira, conferindo o
papel de direção àqueles que vivem no mundo do trabalho e da cultura".
As semelhanças daquele programa de Lula com o adotado pelo
atual comando do PT na resolução divulgada nesta semana são claras. Entre as
prioridades escolhidas pelo partido para o novo mandato de Dilma, os petistas
dizem que "é urgente construir hegemonia na sociedade" e
"promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a
democratização da mídia".
A "hegemonia" perseguida pelo PT é o poder de
determinar o que é a verdade, o que é certo e o que é errado. Para isso, é
necessário "promover reformas estruturais", especialmente a reforma
política - que, no modelo petista, significa submeter o Estado a organizações
"populares" que respondem ao partido -, e "democratizar a
mídia", que é o outro nome para a censura e a tentativa de propagar o
pensamento único.
Assim, para o atual comando petista, nostálgico dos anos de
sua fundação, a tarefa de "transformar o Brasil" demanda agora uma
combinação de ação institucional, de mobilização social e de "revolução
cultural". Para isso, o partido quer ampliar a importância de áreas como
comunicação, educação, cultura e esporte, "pois as grandes mudanças
políticas, econômicas e sociais precisam criar raízes no tecido mais profundo
da sociedade brasileira". Eis aí a fórmula da hegemonia proposta pelo PT.
Nenhum comentário:
Postar um comentário