Janot afirma que não haverá
acordo para favorecer executivos e empreiteiras
Procurador-geral afirma, em mensagem interna, que não há
acordos com empreiteiros para favorecer impunidade e assegura que fará o que
for possível para punir envolvidos.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que
o escândalo na Petrobras é “o maior” da história do Brasil. “Para profunda
tristeza dos brasileiros honestos e cumpridores de seus deveres, o país
convulsiona com o maior escândalo de corrupção da nossa história”, disse ontem,
em mensagem interna obtida pelo Estado de Minas e destinada aos mais de 800
procuradores da República do Ministério Público Federal (MPF).
Acusado por advogados de tentar proteger o Palácio do
Planalto dos reflexos da Operação Lava-Jato em acordo com empreiteiros, Janot
afirmou que irá até o fim nas investigações de todos os personagens do esquema
criminoso. “Prosseguirei e farei o que for necessário para a punição de todos
os envolvidos”, garantiu. “Jamais aceitarei qualquer acordo que implique
exclusão de condutas criminosas ou impunidade de qualquer delinquente”,
afirmou. Ele comunicou ainda que a Procuradoria-Geral da República (PGR) adotou
“posição intransigente na defesa da probidade e no combate à corrupção que se
alastrou na gestão da Petrobras”.
A mensagem foi distribuída à rede Membros do Ministério Público
Federal por volta das 12h30 de ontem, logo depois de ser encaminhada uma nota
mais amena à imprensa pela assessoria da PGR. Na mensagem, Janot deixa claro
que fará esforços para punições de suspeitos em todos os partidos, do PT ao
PSDB, passando para outras legendas da base e da oposição eventualmente
participantes do esquema. Na nota à imprensa, afirma que o caso revela nove
irregularidades ou crimes: corrupção ativa e passiva, quadrilha e associação
criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude à licitação, formação
de cartel e improbidade administrativa.
Janot também defendeu o Ministério de Público e a
força-tarefa da Lava-Jato, composta por nove procuradores, de acusações de
proteção a alguns personagens do escândalo. O procurador-geral da República
ressaltou que o MPF é “o primeiro combatente dos desmandos que já se afiguravam
no horizonte”. Disse também que o trabalho chegará ao final e todos os colegas
da instituição terão “a consciência do dever cumprido”. “Trabalhamos em regime
de confiança mútua e de apoio recíproco”, salientou.
Procuradores ouvidos pelo Estado de Minas disseram que a
mensagem interna é uma tentativa de se antecipar às críticas que ele poderia
sofrer até externamente. O comunicado à imprensa, mais suave, foi discutido na
manhã de ontem entre a força-tarefa do Paraná e a assessoria de Janot, após
reportagem da revista Istoé afirmar, na edição deste fim de semana, que a PGR
montava um acordo com as empreiteiras para blindar o governo de Dilma Rousseff
(PT) pedindo que os executivos delatassem corrupção em todos os partidos, da
base à oposição.
Um dos procuradores da Lava-Jato declarou que a denúncia é
improcedente. “Ele (Janot) sempre disse não para que delatassem todos os
partidos, mas sim que não poderia haver nenhuma exceção”, atestou Carlos
Fernando dos Santos Lima. “As pessoas devem falar sobre tudo. Não digo sobre
quem as pessoas devem falar”, continuou. “Não existe esse tipo de afirmação. O
que se diz sempre: ‘não me esconda nada e não minta’. É nesse sentido que são
feitas as conversas.” Carlos Fernando comentou a mensagem de Janot na rede
interna da Procuradoria solidarizando-se com o procurador-geral. “Somos uma só
equipe”, justificou.
Janot disse ser vítima de “ataques injustos” da imprensa
usada por “interesses inconfessáveis”. Destacou que criou a força-tarefa no
Paraná. “Empenhei a força e a credibilidade do cargo que ocupo em favor das
investigações”, defendeu-se. Para Carlos Fernando, o objetivo das críticas dos
advogados é tirar a investigação de Curitiba, das mãos do juiz da 13ª Vara
Federal, Sérgio Moro, e da força-tarefa para esvaziar as apurações.
Prejuízo bilionário Segundo os investigadores, uma
organização criminosa montou um projeto de corrupção e superfaturamento a
partir de um cartel de empreiteiras na Petrobras. De início, a Lava-jato
identificou que quatro doleiros movimentaram R$ 10 bilhões em crimes diversos,
de tráfico de drogas a estelionato, chegando à corrupção na petroleira e
“branqueamento” de recursos do mensalão. O valor desviado da Petrobras ainda é
incerto, mas, considerando o superfaturamento de 1% a 3% dos R$ 59 bilhões em
contratos do “clube” de construtoras, é possível estimar um prejuízo de R$ 590
milhões a R$ 1,77 bilhão. Mas o valor pode ser ainda maior. Uma planilha com 747
obras, apreendida com o doleiro Alberto Youssef, e depoimento do ex-diretor da
Petrobras Paulo Roberto Costa mostram que o esquema se espalhou para outras
obras públicas e privadas em todo o Brasil.
Só isso já torna o escândalo na petroleira forte candidato a
derrubar outros casos de corrupção no país.
A estimativa de desvios do mensalão do PT é de R$ 150
milhões. O prejuízo apontado pela CPI dos Anões do Orçamento, em 1993, foi de
“alguns bilhões”, segundo relatório feito pelo ministro Roberto Barroso, do
Supremo Tribunal Federal (STF).
No Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, de 1997, e
que resultou na prisão do ex-senador Luiz Estêvão, foram R$ 169 milhões em
valores não corrigidos ou R$ 2 bilhões incluindo as multas. No caso Banestado,
foram remetidos R$ 2 bilhões ao exterior.

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