1º ANIVERSÁRIO DE DESGOVERNO DE DILMA
O grande convidado para comemorar esse aniversário é o diabo
Hoje faz um ano que Dilma foi reeleita presidente. Data fúnebre. Antes
da eleição, a candidata esnobou otimismo, partiu para o confronto com os
adversários, apagou Marina no pleito, acusou Aécio de cortar os
programas sociais, fez o diabo com os números e ganhou o apoio da
população. Foi uma campanha eleitoral milionária, em que o governo jogou
todas as fichas para se manter no poder. Perto da eleição, 31% dos
eleitores achavam que a inflação iria subir e 26%, que haveria
desemprego; o País iria piorar para 15%. Pois hoje os brasileiros
amargam terrível ressaca. Com aprovação de cerca de 8%, Dilma agoniza no
poder. O eleitorado bovino deixou-se levar por promessas e paga a conta
da incompetência petista.
A democracia, todos sabem, está longe de ser um sistema de
governo perfeito. É encarada, na verdade, como o menos pior por grande parte da
literatura especializada. Uma de suas maiores virtudes, no entanto,
apresenta-se por vezes como seu lado mais sombrio: a capacidade de criar uma
classe política que produza a sociedade, com suas virtudes e seus vícios.
Em tempos de deflagração do maior escândalo de corrupção de
que se tem notícia no Brasil, pensar nossos representantes como um espelho de
nós mesmos não parece tarefa das mais agradáveis. Mas é das mais urgentes.
Como fomos capazes de eleger, de norte a sul, da esquerda à
direita, uma classe política capaz de cometer tantas atrocidades com recursos
públicos quantas estão sendo escancaradas pela operação Lava Jato? De onde
saíram todos esses corruptos e corruptores capazes de movimentar quantias
astronômicas desviadas de setores importantes do Estado?
Essas indagações nos levam a uma reflexão séria e profunda
sobre nossas próprias atitudes, sobre como mentimos para nós mesmos quando infringimos
uma pequena regra da sociedade, sobre como convivemos com nossas contradições
sem muitas vezes darmo-nos conta das consequências e dos danos que podem gerar.
A síntese deste exame de consciência que interpela cada um
de nós, de maneira séria e nos alerta sobre o protagonismo que, de forma
intencional ou à nossa revelia, desempenhamos a vida política do nosso país.
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