quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Eleições 2014





Hora de mostrar as estratégias




11,92% foi a valorização dos papéis do Banco do Brasil




11,11% foi a alta nas ações da Petrobrás
Brasília – As próximas três semanas serão decisivas para que Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) explicitem as diferenças do pensamento econômico de cada partido e sinalizem, de forma clara, de que forma o novo governo poderá melhorar a vida do eleitor. Até então as campanhas foram centradas em áreas como corrupção e políticas sociais, temas debatidas à exaustão durante as eleições de 2010, e que deram a vitória à presidente Dilma sobre o recém-eleito senador José Serra (PSDB).
Naquela época, porém, a economia não era motivo de preocupação. Enquanto a disputa pelo segundo turno pegava fogo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciava que a carestia acumulada em 12 meses, até setembro daquele ano, era de 4,7%. Portanto, apenas 0,2 ponto percentual acima da meta de inflação, de 4,5% ao ano. Era o país do crescimento chinês, cujo Produto Interno Bruto (PIB) avançou 7,5% naquele ano — o melhor desempenho em mais de três décadas.
“Agora a situação é totalmente diferente”, assinalou a economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif. Em vez de crescimento forte, o país convive com a recessão. Já a inflação só não fugiu do controle porque o governo represou preços administrados por si próprio, como combustíveis e energia elétrica. Mesmo assim, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 6,51% até agosto, rompendo o teto da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que ocorreu durante um terço do governo Dilma Rousseff.
Diante do crescimento nulo e da carestia elevada, a renda real dos trabalhadores passou a crescer em ritmo cada vez maior. Em 2014, o avanço será de, no máximo, 1,5% — o menor desempenho desde 2003. Para completar, os juros ao consumidor não param de subir. Em agosto chegaram ao maior patamar em três anos. Não por acaso, o endividamento das famílias também recorde. Hoje, 46% do que o brasileiro ganha está comprometido com o pagamento de dívidas, diz o Banco Central.
Ao PSDB, diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, caberá traduzir o debate econômico pouco palatável em situações reais do cotidiano. “Será preciso mostrar ao eleitor que a política atual não é sustentável, e que a consequência dos desarranjos na economia será a piora do lado social, que tem sido a principal bandeira do PT”, emendou. Para o economista, a principal diferença entre Aécio e Dilma está na forma como planeja o crescimento econômico.

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